sexta-feira, 29 de abril de 2016

Reflexão Professores Cortella

Aos Professores, Pais, Políticos e a TODOS que se interessam em contribuir pra um mundo melhor... E, por favor, antes de falarem ou darem pitaco sobre EDUCAÇÃO que se estude sobre o cotidiano escolar... Leiam e reflitam este trecho que digitei do livro Educação, Convivência e Ética do Mário Sergio Cortella... Vale muito a pena entender
“ A palavra “agonia”, em sua origem no grego, significa “luta”. 
Uma pessoa agonizando está lutando. No combate, o que luta a favor é o protagonista, o que luta contra é o antagonista. Temos dentro de nós uma agonia muito grande. Sabemos que vez ou outra nos infernizam o cotidiano...
A escola hoje é altamente consumidora; ela esgota, exaure. Existe uma síndrome clássica na área laboral que é a síndrome de burnout. A ideia de burnout, como uma chama repentina que consome o profissional. É o esgotamento total. Uma boa parte dos docentes chega a um nível de exaustão grande. Essa síndrome atinge boa parcela de uma população que, aqui no Brasil, ultrapassou os 200 milhões, que se juntou nas grandes cidades, que passou a disputar espaço e condição de vida. As instituições públicas, republicanas, de atendimento, como a escola e o hospital, continuam sendo o braço do governo no cotidiano das famílias.
Esses dois territórios reúnem profissionais que chegam a beira da exaustão. Não é incomum que vários colegas tenham de recorrer ao mundo farmacológico para conseguir algum repouso.
Há algumas décadas, eu, docente, mesmo cansado repousava na certeza da beleza da tarefa cumprida e da beleza da escolha feita pela profissão. Hoje, existe o ideário e o ideal, mas as condições são tão incendiadas no cotidiano que a exaustão é muito comum. Ademais, essa exaustão vem de um trabalho que ficou mais complexo, porque passamos a ter de multiplicar jornadas para poder compor uma base salarial adequada.
No inicio dos anos 1960, por exemplo, um professor ou uma professora tinha condições salariais para poder dar aula em apenas um lugar. Hoje é comum dupla ou tripla jornada, seja em aulas particulares ou até em outras atividades fora do escopo educacional, de maneira a complementar a renda. Isso contribui para uma exaustão maior.
A nossa exaustão é tamanha que, ao olharmos à nossa volta, nossa condição de trabalho é obscena. E de nada adianta dizer “isso é assim”. Se assim é, qual é o passo? Persistência, com uma resiliência ativa transformadora. Chico Buarque, quando compôs a versão em português para Os saltimbancos, disse que “um bicho só é um bicho”. A música, que “todos juntos somos fortes”.
Ou para pegar uma frase do escritor Millôr Fernandes (1923-2012):”A união desfaz a força”, porque existe uma força hoje que leva ao esgotamento, ao desalento e, eventualmente, ao desespero da docência. A união desfaz a força. União em torno de ideias sadias, decentes, que recusem a obscenidade.
Isso se dá com organização do trabalho pedagógico coletivo, com organização sindical, com organização social. É algo no nosso horizonte imediato? Não. Mas se os passos para esse novo momento não forem dados, se esse caminho não começar a ser trilhado, esse novo tempo não virá...” Mario Sergio Cortella

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